Este post foi originalmente escrito em italiano por Paolo Gambardella. Foi traduzido por um agente de inteligência artificial e pode conter imprecisões.
O setor de games está em crise há alguns anos, assim como o resto do mundo. Demissões em massa, estúdios fechando, investimentos secando.
A crise não é surpresa. As coisas não crescem infinitamente — isso é lei da natureza. Mesmo assim, quem sai dos MBAs e dos programas de finanças parece esquecer esse negócio básico, ou talvez seja treinado a ignorá-lo. O resultado é que se criam expectativas de crescimento contínuo para quem coloca o dinheiro, expectativas que o setor não consegue sustentar por muito tempo. Isso, somado à situação geopolítica mundial, cria a fórmula para o desastre.
O que me chamou mais atenção, porém, foi o comportamento dos próprios desenvolvedores.
Este ano na Madeira, aconteceu um workshop interessante. Os participantes foram convidados primeiro a propor um jogo original, depois a montar um fundo de investimento hipotético com um milhão de dólares. O resultado: a maior parte do dinheiro foi parar em ferramentas, infraestrutura tecnológica e ecossistemas tipo Roblox. Os mesmos desenvolvedores que tinham acabado de pitchar com paixão um projeto original não teriam financiado esse projeto.
Como disse um dos participantes: “Eu literalmente montei uma firma de investimento que não teria financiado o meu próprio pitch.”
É um sistema que recompensa o retorno de curto prazo e penaliza a visão de longo prazo. Quando o dinheiro vira o fim em vez do meio, todo mundo se adapta.
Esse não é um lugar para quem não tem onde cair morto
Preciso ser honesto sobre onde eu me encaixo em tudo isso. Sou consultor independente, e uma das razões pelas quais escolhi esse caminho é justamente que conheço esse mecanismo e prefiro não depender dele. Mas tem outra razão também: meus pais têm uma situação financeira confortável. Eu tive uma rede de segurança que me permitiu continuar nesse setor nos momentos difíceis. Nem todo mundo tem isso.
O setor de games, hoje, é cada vez mais um setor para quem pode se dar ao luxo de esperar. Para quem já tem um patrimônio familiar, para quem não precisa do salário do mês para pagar o aluguel. Isso é um problema não só de equidade, mas de qualidade. Você está excluindo talentos que simplesmente não conseguem arcar com os riscos estruturais de uma indústria tão instável.
E aí, o que se faz?
Olho para Hollywood com interesse porque ela encontrou algumas respostas práticas para problemas parecidos.
- modelo de slate: distribuir o risco em vários projetos em vez de apostar tudo num único blockbuster. Significa aceitar que alguns vão fracassar, mas que o portfólio como um todo se sustente.
- proteção estrutural dos criativos: Os sindicatos de Hollywood existem porque, sem eles, a relação de forças entre quem tem o capital e quem tem o talento fica desequilibrada demais. O setor de games precisa de estruturas parecidas.
- modelo A24: pequeno, curatorial, com uma identidade editorial bem definida. Escolhe os projetos em que acredita, os produz com cuidado e gera lucros sustentáveis. Escala reduzida e visão clara podem conviver com saúde financeira.
Um problema que tem solução
São necessárias estruturas financeiras construídas nos prazos reais do desenvolvimento, não nos ciclos do venture capital. São necessários mais fóruns onde desenvolvedores possam praticar pensar como investidores antes de estar numa sala de reunião de verdade. São necessários modelos que deem a um estúdio runway suficiente para construir algo duradouro.
Este é o momento em que quem tem a responsabilidade de tomar decisões — investidores, publishers, leads — pode escolher construir algo mais sólido do que o que existia antes.